Benedikt Frey – Fairytale

Editora. Mule Electronic
Cat. mule electronic 86
Data de Edição. 30.01.2012
Género. House

A House é, provavelmente, um dos géneros musicais que mais sofreu com a massificação popular granjeada no início dos anos noventa. A entrada na estrutura industrial adjacente ao mundo da música de instintos comerciais fez com que surgissem inúmeros produtores à procura da receita mais fácil para chegar a todos os mercados. A introdução do formato canção foi, indubitavelmente, o modus operandi mais requisitado para agarrar os ouvidos mais preguiçosos e o mundo começou a perceber que a estrutura quatro por quatro (teimosamente tratada como punts-punts-punts pelos ouvidos mais duros e ressequidos) podia entrar no top de vendas com relativa facilidade. Já muito se escreveu e disse sobre a falta de qualidade de muita da House feita desde os noventas até ao presente. Os maus exemplos não têm fim. Podia enumerá-los aqui e agora. Mas não o vou fazer. Porquê? A razão é simples: por cada cem discos de house de qualidade duvidosa editada nos últimos vinte anos, saiu um disco extraordinário, capaz de nos ficar na memória ad eternum. Olhando para as coisas deste modo, não me importo nada que se faça má House. O recente revivalismo da House que se denota desde há três ou quatro anos para cá já nos deu a conhecer muitos e bons produtores, capazes de trazer algo de novo ao movimento ou então simplesmente reinventar o que de melhor foi feito nos primórdios. Benedikt Frey encaixa perfeitamente neste distinto rol de produtores. Frey é alemão, natural de Darmstadt e habitualmente assina as suas produções como Südmilch. Estreou-se nas edições em 2007 pela mão da Autist e, desde então, já editou em etiquetas como a Rotary Cocktail, Pour Le Mérite ou Numbolic. Em comum o facto de todas as suas edições, ora mais intensas ora mais relaxadas, se pautarem por uma sensibilidade e alma únicas. A sua house tem reminiscências de Chicago, com uma pitada jazzy no momento certo e a elegância patente nos seus trabalhos é de fazer água na boca a clássicos como Terre Thaemlitz, Kenny Dixon Jr. ou Theo Parrish. Este Fairytale é o seu primeiro trabalho assinado com o nome de baptismo e funciona como uma espécie de obra-prima do alemão (pelos menos até à data). Um trabalho incrível que faz com que toda a obra de Frey até ao momento pareça ter servido de estágio para este conto de fadas.

10/10


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